[Startse] Helisson Lemos, da Movile: “trocamos o Vale do Silício pela China”

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A Movile abriu um pequeno escritório na China para conectar os seus profissionais com empreendedores locais, em busca de novos negócios e novas tecnologias

Movile, empresa de serviços móveis e de entretenimento, com sede em Campinas, foi buscar na China inspiração para atingir o seu sonho grande: impactar 1 bilhão de pessoas por meio de seus aplicativos. Hoje, transitam nos aplicativos da Movile, aproximadamente, 300 milhões de pessoas.

Desde o ano passado, a Movile mantém um executivo na China que é responsável por conectar profissionais da empresa com empreendedores e empresários locais, em busca de novos negócios e troca de know-how em novas tecnologias. Esse mesmo executivo é também os “olhos da Movile” para identificar benchmarks e conferências de inovação.

Segundo Helisson Lemos, diretor de operações da Movile, o país asiático é referência no uso de inteligência artificial (IA) nos negócios. A tecnologia, segundo o executivo, “veio para ficar” e vai transformar empresas e a forma como elas se relacionam com os seus clientes.

Por meio de exemplos como o do Wechat, aplicativo desenvolvido, em 2011, pela gigante chinesa Tencent, que a Movile busca referências para orientar a sua estratégia de negócios.

O aplicativo chinês domina 34% do tráfego de dados na China, possui mais de 1 bilhão de usuários ativos mensais e movimenta 45 bilhões de mensagens por dia.

Em janeiro, o Wechat anunciou o seu novo chat que usa IA para conectar, via comando de voz, os seus usuários aos aplicativos de música, condição do tempo, táxi, bicicletas compartilhadas e compras online, que rodam todos dentro do Wechat. Com isso, o chinês passa cada vez mais tempo dentro do Wechat.

Da mesma forma, a Movile, que é um ecossistema de empresas que desenvolvem aplicações para celulares, quer manter as pessoas dentro de seus apps (iFood, Playkids, Wavy, Zoop, Movilepay e Sympla).

Lemos não falou sobre o Rapiddo, aplicativo para o qual a empresa direcionou, até bem pouco tempo, grande parcela de seus investimentos, com o objetivo de transformá-lo em um agregador de serviços e produtos da Movile. O Rapiddo foi descontinuado e suas funcionalidades foram incorporadas ao aplicativo do iFood e Movilepay. O objetivo agora é fazer do iFood um “super aplicativo”, app que reúne diversas funcionalidades em um só lugar.

A ideia é que as pessoas usem um só aplicativo para gerenciar tanto serviços online quanto offline, modelo também usado pela indiana Paytm. Seria possível, assim, pedir comida, ouvir música (pelo app SuperPlayer), comprar ingressos (pelo Sympla) e ainda recarregar o celular, fazer pagamentos e outros serviços.

Nos últimos seis anos, a Movile que emprega 2.300 profissionais, cresceu 80% ano sobre ano, considerando o resultado dos seus negócios (além do Brasil) na Argentina, Colômbia, França, Estados Unidos, México e Peru. Seu faturamento anual é de aproximadamente R$ 1 bilhão, sendo que a Movile é a segunda empresa brasileira que mais recebeu aportes de investidores, atrás do Nubank.

Cultura espartana e ágil

 

Lemos dividiu a sua apresentação no China Innovation Day em duas partes. Na primeira, falou sobre a cultura da Movile e sua característica de trabalho, que chamou de ambidestra, para dizer que a empresa é capaz de inovar e perseguir a eficiência operacional ao mesmo tempo – uma qualidade pouco comum nas empresas brasileiras.

“A empresa é muito rígida na definição e acompanhamento das metas. Ao mesmo tempo, mantemos times multidisciplinares, organizados como squads, para tocar os projetos menores e mais inovadores. Temos um processo de validação destes projetos que é bem crítico e rápido. Descartamos o que não funciona e avançamos, de forma acelerada, nos projetos que se mostram de futuro”, diz Lemos.

Segundo o executivo, para fortalecer a cultura com “foco em resultado” e para garantir a transparência, há televisões espalhadas em todos os cantos da empresa, com os objetivos atualizados, em tempo real, para que todos acompanhem as informações de negócios.

“Os melhores resultados ficam estampados nas champagnes, que são abertas para celebrar uma meta atingida, na parede de ‘resultado’”, conta.

Além do método ágil de trabalho e do foco no resultado, Lemos diz que as pessoas na Movile são “paranoicas” na busca do “product-market-fit”. O anglicanismo descreve a capacidade da empresa adequar o seu produto ao mercado consumidor, de forma a conquistar o maior número de clientes.

“(Quando estamos desenvolvendo o produto) não olhamos para plano de negócios. Temos pequenas equipes focadas na melhoria contínua do produto. Quando essa turma valida uma melhoria ou inovação, acoplamos ao ‘produto mãe’”, diz.

A China, neste desenho de negócios veio como uma referência para inovar nos segmentos que interessam a Movile acompanhar. A empresa monitora na China os segmentos de varejo, financeiro, saúde e educação.

Até o ano passado, a Movile manteve, desde 2012, um escritório no Vale do Silício, nos Estados Unidos, como filial de novos negócios e relacionamento com as empresas inovadoras do Vale. No ano passado, esse escritório foi transferido para a Flórida. “A localização nos dá maior agilidade de comunicação com os escritórios da América Latina e também com a China”, diz Lemos.

Dos pontos que mais têm inspirado a Movile com relação à cultura de negócios dos chineses, Lemos citou a estratégia de longo prazo, o planejamento meticuloso, a velocidade de “go to market” (lançamento de produtos) e a disciplina para a melhoria contínua. “Eles fazem tudo isso, com muita tecnologia. Por isso, cada vez mais, queremos participar deste ecossistema.”

https://www.startse.com/noticia/nova-economia/65823/helisson-lemos-movile-china-day

Carolina Martins

Carolina Martins

Graduada em Relações Públicas pela Universidade Anhembi Morumbi, parte do time de Marketing & Communications do Grupo Movile, sou apaixonada pelo universo da comunicação e acredito fortemente no valor que ela tem para ser um bom canal de contato entre marcas e pessoas.

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