Se pensarmos que a inteligência artificial já consegue substituir alguns empregos, como fica o futuro do front-end diante deste cenário? Aos que pensam que a realidade ainda está muito longe de se concretizar, assistam a este vídeo:

A ideia de Tony Beltramelli, em nome da Uizard Technologies, é treinar uma rede neural para uma série de sistemas distintos. Através de técnicas de machine learning, a rede aprende tendo por base uma interface de usuário. Com isso, consegue ser multilingue por causa de uma DSL especial e, consequentemente, “conversa” com iOS, Android, HTML, entre outros.

O resumo do projeto afirma que os autores mostram “que as técnicas de deep learning podem ser aproveitadas para gerar código automaticamente, considerando uma captura de tela da interface gráfica do usuário como entrada. Nosso modelo é capaz de gerar código segmentando três plataformas diferentes a partir de uma única imagem de entrada com mais de 77% de precisão.”

Impressionante, certo? Certo. Porém, não há necessidade de pânico aos profissionais do setor. Pelo menos, não ainda.

Este artigo analisa o conteúdo e faz alguns contrapontos. Um deles é que o índice de precisão não é bem esse, mas menor. A ação pode até ser uma conquista, uma vez que o mapeamento de uma imagem estruturada para uma descrição de linguagem é uma tarefa bem complicada.

Por outro lado, segundo a publicação, o desafio da vida real ainda não foi totalmente vencido. “O código gerado descreve apenas o layout da interface do usuário e não o modo como é conectado. Ou seja, mesmo que fosse 100% preciso, apenas resolve o mais trivial dos problemas de codificação front-end.”

Em outras palavras, ainda a interação de um programador front-end ainda é necessária para escrever o código que determina o que acontece no momento em que um botão é acionado ou alguma informação nova é inserida.

Ainda podemos destacar um terceiro ponto-de-vista. Este, mais perto da gente:

“A maior dificuldade para a automatização ainda é o poder computacional. Acredito que em 3 anos veremos na prática como a inteligência artificial mudará a maneira de como criamos sistemas, aumentando a velocidade de prototipação e o principal, diminuindo a barreira para a construção de um software.” (Raphael Moraens, Front-end Engineer na Wavy)

Mas, em vez de continuarmos especulando, vamos falar do que está acontecendo hoje, na prática!

O case do Airbnb

Benjamin Wilkins é tecnólogo de design do Airbnb. Ele acredita que, nos próximos anos, a inovação permitirá que o design de novos produtos seja feito de maneira mais intuitiva e expressiva, ao mesmo tempo em que as equipes eliminam barreiras criadas pelo processo de desenvolvimento de produto.

Em um artigo próprio publicado no site oficial do app, Wilkins afirma que a situação atual é bem diferente. Hoje, “cada passo no processo de design e todo artefato produzido é um beco sem saída. O trabalho cessa sempre que uma disciplina termina uma parte do projeto e repassa a responsabilidade para outra disciplina.”

Em outras palavras, os especialistas em cada domínio desempenham o papel de tradutores daquele conteúdo.

O time começou a explorar quais são os métodos possíveis para que o tempo de teste seja diminuído para zero. Sabe o que descobriram? Que, com a aplicação de inteligência artificial, é possível transformar sketches em código-fonte de produtos.

De maneira semelhante, Ashwin Kumar, o cientista de deep learning da Mythic, queria descobrir se seria possível utilizar um simples protótipo desenhado à mão para gerar um site HTML instantaneamente. Esta imagem nos dá a resposta.

Em artigo próprio sobre o estudo, o especialista afirma que o problema que ele tentava resolver “faz parte de um guarda-chuva mais abrangente, de tarefas conhecidas como sínteses de programas, a geração automatizada de códigos-fonte ativos.”

O front-end do futuro será mais integrado e diversificado

O Alibaba Tech publicou um texto interessante no Medium sobre o futuro do front-end. Segundo a publicação, a tendência é que o trabalho desenvolvido por profissionais da área seja cada vez mais diversificado e integrado.

Os autores dão o exemplo da própria empresa, que atualmente tem o front-end separado em cinco departamentos distintos. Todos, por sua vez, subdivididos em times especializados.

Eles dizem ainda que, enquanto áreas especializadas no front-end estão sendo fomentadas, outras têm sentido maior integração – especialmente as de tecnologia de terminal, desenvolvimento full stack e IA.

Na visão do Alibaba, os fundamentos do desenvolvimento front-end não devem sofrer transformações muito radicais. Até porque é um trabalho que envolve sistemas operacionais, algoritmos e estruturas de dados que fazem parte de uma parte estética que precisa estar sempre legível e agradável ao usuário.

No entanto, alguma mudança sempre irá ocorrer.

“De muitas maneiras, o futuro do front-end é móvel. Hoje, usamos nossos smartphones para fazer compras, fazer transações bancárias, ler as notícias e assistir vídeos muito mais do que simplesmente nos comunicar. Mas alguns, principalmente os desenvolvedores de pequena escala, estão sendo eliminados à medida que os gigantes corporativos assumem o controle, dificultando muito para que eles encontrem suas bases no mercado de aplicativos móveis.”

Ou seja, é inevitável que as interações sem interface aumentem à medida que a qualidade das tecnologias de reconhecimento facial e vocal percebe melhorias. É certo que dispositivos com protocolos e especificações de comunicação próprios também terão muito do trabalho de front-end fora do campo visual no back-end.

Apesar disso, mesmo com toda a transformação digital e as mudanças percebidas no mercado de TI, profissionais especialistas em front-end não precisam se preocupar com suas posições no mercado de trabalho. Sempre haverá demanda àqueles que souberem acompanhar o ritmo da inovação tecnológica.

Tiago Magnus atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, entre outras, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil. Hoje, é Diretor de Transformação Digital na ADVB e Fundador do TransformacaoDigital.com

Posted by:Tiago Magnus

<i>Tiago Magnus atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, entre outras, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil. Hoje, é Diretor de Transformação Digital na ADVB e Fundador do TransformacaoDigital.com</i>

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