Um dos assuntos mais clichês que se ouve falar a respeito de bons Product Managers é a respeito de como a capacidade de priorizar iniciativas pode ser decisora no sucesso ou não de um produto. Mas, apesar de ser clichê, não deixa de ser uma verdade.

Naturalmente, há muitos outros fatores que impactam em ótimos resultados, como: ter uma boa visão de produto, conhecer seus usuários, saber se comunicar bem, fazer parte de um bom time de desenvolvimento. Mas, ser capaz de priorizar bem pode ser a mais crucial, e ao mesmo tempo a mais simples de se exercitar.

A seguir, compartilho 5 ideias que me ajudam a priorizar melhor os próximos passos de minha equipe de desenvolvimento.


1. A visão do produto é mais importante que simples resultados

O grande propósito de uma boa visão é garantir que todo mundo envolvido no desenvolvimento do produto esteja compartilhando os mesmos objetivos e sonhando com o mesmo caminho. É como se fosse um grande norteador para as ações de todos. A visão do seu produto não é difundida entre os membros do time de desenvolvimento? Ela não impacta nas decisões do dia-a-dia? Ela pode parecer algo romântico, mas talvez isso só signifique que ela não tem valor real para o seu produto. É normal encontrar oportunidades de ganhos de resultados em detrimento da visão do produto (Ex: a visão do produto diz que seu objetivo é fornecer cursos online e práticos para universitários. Você prioriza features para conseguir um cliente corporativo. Isso poderia trazer uma receita interessante para seu produto, mas com certeza o deixa mais longe de alcançar a sua visão).

Um produto com pouco valor — Provavelmente é o resultado da falta de visão do produto 🙂

Não caminhar consistentemente para alcançar a visão pode tirar o foco do time, desanimar seus talentosos engenheiros e designers, diminuir sua velocidade e transformar o seu produto em algo desconexo e que não traga valor real para seus clientes. Uma aberração. No limite, você pode levar seu produto ao fracasso! Por isso, sempre tenha em mente o sonho grande e caminhe para alcança-lo enquanto toma cuidado para não ir no sentido contrário.

2. Cuidado com “Quick Wins”

O ruim da expressão “quick win” está exatamente no seu significado. Naturalmente espera-se que todo Product Manager evolua o produto para sempre conseguir “wins”, caso contrário, estaria fazendo um trabalho ruim, certo? Procurar somente os “quick” pode levar o time a desenvolver somente pequenos incrementos no produto e sempre postergar experimentos e evoluções que possam ter o impacto de balas de canhão, simplesmente por que são, de alguma maneira, mais custosas.
Esse cenário, normalmente leva a produtos que com o passar do tempo param de conseguir resultados relevantes e ficam estagnados. É óbvio que sempre vão existir coisas simples que você pode fazer pelo seu produto e que vão trazer resultados imediatos, mas resista à tentação de somente buscar os caminhos fáceis e se aventure em busca dos resultados mais ousados.

3. Morte à democracia!

Logo no começo da minha carreira em desenvolvimento de produtos, era comum eu participar de comitês de planejamento compostos por heads de várias áreas de negócios da empresa. Ao final desses comitês saíamos com demandas priorizadas de todas as áreas da empresa, de tal maneira que houvesse uma certa justiça na divisão do trabalho entre os desejos de todos os heads. Poucas coisas podem ser tão prejudiciais para a evolução do seu produto do que esse cenário. Morte à democracia! (pelo menos neste contexto)

EnterMovimento Diretas Já — Símbolo da boa Democraciaa caption

O produto não é uma lista de papai-noel para agradar a todos os envolvidos no negócio, e naturalmente é de se esperar que se algum membro desse comitê tem ideias ou demandas que agreguem pouco para alcançar a visão do produto, que elas nunca sejam feitas. O Product Manager tem que possuir empatia para entender o contexto de todos os stakeholders, mas, ao mesmo tempo, tem que ter o juízo crítico para somente levar adiante as melhores oportunidades para o produto, através de uma análise holística. É importante saber dizer não.

4. Não deposite todas suas fichas em uma equação

Existem diversos frameworks de priorização: RICE, Matriz de Eisenhower, Custo/Benefício, Valor/Risco, Business Goal, Weighted Score, Kano Model, Story Mapping, e muito mais. Do mesmo jeito que todos eles fazem sentido, nenhum deles é perfeito. Conhecer esses e outros frameworks irá te ajudar a ter uma visão mais completa do que levar em consideração no momento de uma priorização, mas você não deve se apoiar totalmente em um framework. Suas habilidades como product manager é que devem fazer a diferença no momento da priorização. Tenha empatia, conheça seus usuários, converse com outros stakeholders e priorize, sem colocar o ônus ou o bônus em um framework. Não se esqueça: se seu produto não tiver sucesso, o demitido será você e não o framework.

5. Na dúvida, antecipe os riscos

Mantenha sempre uma boa visão de quais são suas hipóteses atuais e faça uma análise de qual hipótese tem mais riscos caso você esteja errado. Por exemplo, você pode ter uma hipótese de que seu MAU irá aumentar caso invista em determinado grupo de features. Neste cenário, pergunte-se: “Quanto sua estratégia será afetada caso esteja errado?” e “Quão caro será para o time de desenvolvimento caso esteja errado?”. Se suas respostas para essas perguntas forem “Muito”, então procure um MVP para que os riscos de sua hipótese diminuam. E seu risco pode diminuir tanto pelo fato de que sua hipótese ficará mais validada e portanto com menos risco de você estar errado, ou pelo fato de que você adquiriu mais conhecimento e caso esteja errado, será menos problemático. Mantenha sempre o mindset de que você estará errado em vários cenários e se antecipe para que seus erros não custem caro para o produto.

Por fim, priorizar é escolher entre duas ou mais iniciativas, sem ter todas as informações necessárias para garantir que sua escolha será ótima. Anote suas priorizações — quais opções tinha, qual foi a priorizada e a razão da priorização — e revisite suas decisões algum tempo depois. Você terá mais informações e poderá julgar se suas decisões foram adequadas e conseguirá levar alguns aprendizados para seu futuro.

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Autor: Renato Lochetti

Sobre o iFood: O iFood – líder em delivery on-line de comida no Brasil – é uma das mais inovadoras foodtechs do mundo. Há seis anos no mercado, a empresa de origem brasileira está presente também no México, na Colômbia e na Argentina. Atua junto aos parceiros com iniciativas que reúnem soluções de gestão de restaurantes e inteligência de negócio. Além disso, é dona da marca SpoonRocket, aplicativo que nasceu no Vale do Silício e tem foco em restaurantes premium. O iFood conta com a participação da Movile – líder global em marketplaces móveis – e do Just EAT – maior empresa de pedidos on-line do mundo.

Cientista da computação pela UNICAMP. Atuo desde 2010 com desenvolvimento de produtos de software. Atuei como engenheiro de software em empresas como Samsung, Rapiddo e Brainweb. Desde de 2015 trabalho com Gestão de Produto, passando por empresas de Games Mobile e Logística. Atualmente sou Product Manager no time de Logística do iFood, ajudando a desenvolver soluções e produtos que tragam mais eficiência pra nossa operação e mais satisfação e qualidade para nossos consumidores.

Posted by:Renato Lochetti

Cientista da computação pela UNICAMP. Atuo desde 2010 com desenvolvimento de produtos de software. Atuei como engenheiro de software em empresas como Samsung, Rapiddo e Brainweb. Desde de 2015 trabalho com Gestão de Produto, passando por empresas de Games Mobile e Logística. Atualmente sou Product Manager no time de Logística do iFood, ajudando a desenvolver soluções e produtos que tragam mais eficiência pra nossa operação e mais satisfação e qualidade para nossos consumidores.

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